SETOR DE LATICÍNIO CRESCE E ATRAI EMPRESAS
Expectativa é que até 2014 sejam produzidos 1 bilhão de litros de leite por ano
- O povo fluminense gosta muito de leite. Mas não produz. Esta frase era verdadeira em 2007 – consumíamos 2,5 bilhões de litros de leite e derivados, mas produzíamos 470 milhões. Até do Uruguai importávamos. Mas o Rio de Janeiro reagiu: entre 2008 e 2010, o governo Sérgio Cabral investiu R$ 153 milhões na pecuária leiteira, o que gerou três mil novos postos de trabalho. A produção em 2009 saltou para 600 milhões de litros, e a expectativa é de que até 2014 sejam produzidos 1 bilhão de litros/ano. Foi pelo bolso que começou essa mudança. O governo isentou de ICMS o que fosse produzido aqui (antes, era 19% sobre produtos lácteos e 7% no leite fluido). Isso possibilitou ao produtor fluminense reduzir seu preço, tornando o laticínio fluminense competitivo. Mas houve outro efeito positivo: – Há várias empresas vindo para o Rio de Janeiro por conta do incentivo do programa. Não beneficia só as empresas fluminenses, é aberto. Isso gera mais empregos, abre a concorrência. Isso é uma coisa que qualquer um pode ver – atesta Celso Silva, gerente de produção da Laticínios Grupiara, empresa de Valença (RJ).
Empresas vieram para o Rio de Janeiro por conta do incentivo do programa - Foto: MK O mineiro de Poços de Caldas tem razão. Há 20 anos no mercado leiteiro, ele foi “importado” de Lavras (MG) há três anos. Não é o único a se mudar para o Estado do Rio para ganhar com o leite: a fábrica Bom Gosto comprou uma unidade da Nestlé em Barra Mansa (sul) para se instalar no estado; a Laticínios Marília foi para Itaperuna (norte) e a CCA Alimentos reativou seu parque industrial em Macuco, centro do estado. Por toda parte, melhora a condição do mercado leiteiro fluminense – e os empregos também: até 2014, deve haver mais de 20 mil vagas no setor. Rafael Soares Fernandes, gerente de política leiteira da Laticínios Grupiara (responsável pela captação de leite dos produtores da região), mostra como a Lei da Oferta e Procura trabalha a autoestima da população: – O governo nos protegeu com o Rio Leite. A gente procura mais gente para captar leite, e mais gente nos procura oferecendo seu produto. O município de Valença, que é o segundo em área no estado, volta a ser importante. Somos o município do leite, exalta.
O governo isentou de ICMS o produto produzido aqui, tornando o laticínio fluminense competitivo - Foto: MK Se para o consumidor e a indústria houve benefícios, para o produtor do leite a melhora já começa a ser sentida. É o que pensa José Rogério de Moura Neto, que mantém a Fazenda Colônia, tradição e sustento do pai há 40 anos: – O Rio Leite é uma mudança importante para a cadeia produtora do leite. José Rogério prevê uma continuação do bom momento leiteiro: – Hoje produzimos, em média, 18 mil litros por mês. Nossa expectativa é dobrar a produção em dois anos. Para melhorar a qualidade do rebanho leiteiro fluminense, o estado promove feiras com oferta de animais de elevado padrão genético para a compra e venda, seja de matrizes (vacas produtoras) ou tourinhos (reprodutor). Quem quiser negociar tem acesso a uma linha de crédito com juros de 2%. Mais de três mil animais já foram negociados nessas feiras – a próxima será dia 17 de julho, em Natividade, norte fluminense. O desenvolvimento não pode parar. Mas o meio ambiente entra na pauta do dia: a moda agora é tratar o soro (resíduos) do leite. Para se ter uma ideia, de 10 litros de leite se faz um quilo de queijo mussarela. O resto, no passado, era jogado nos rios, mas hoje vira dinheiro: – O soro do leite é como o gás natural, uma riqueza desperdiçada, que ninguém dava bola antes. Agora, além de não poluir, vai gerar emprego e renda. Aqui, na Grupiara, compraremos o secador de soro, com o dinheiro do Investe Rio. Rio Leite e Investe Rio, o governo vai ajudar duas vezes – finaliza Celso Silva.
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Publicada em segunda-feira, 19 de julho de 2010
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